preciso resolver o que fazer com o domingo. vou deixá-lo me matar ou enfrentar isso corajosamente? mas quem consegue ter qualquer tipo de coragem num domingo? há carros vazios andando pelas ruas, seus ritmos são particulares e as velocidades variam, mas tudo me parece muito cheio de cansaço. e aspereza. hoje foi um domingo atípico e choveu, em alguns pontos da cidade pude ver poças e indícios de futuros alagamentos mas há também música desafinada pelas igrejas e indigentes caminhando com seus passos arrastados, resolutos.
domingo que vem é daqui a uma semana mas já posso antecipar seu tédio: nada mais que meu próprio tédio, minha abordagem viciada das coisas, desistência e tentar resistir até mesmo a isso. o que se passa com as boas notícias? mas não parecem todas mentirosas? tento me concentrar nas coisas que são ditas muito importantes mas tudo me distrai, um apito no fim do dia, um caminho cortado pelo rastro viscoso de uma lesma, música na minha cabeça.
domingos são infernais porque esse é o único dia da semana em que não consigo formular uma desculpa oficial e socialmente aceita que me faça evitar minha própria companhia por algumas horas. isso é uma desculpa convincente. eu sei, eu deveria me amar e todas essas bobagens sobre a dádiva da vida. quem disse que não me amo? se amar e suportar não têm relação necessária. mas podem facilmente se comunicar com o sentimento de escassez que me invade ao longo do dia. tudo são matemáticas muito complicadas pra explicar num dia assim.
por exemplo, eu sei como dançar sem mexer um único músculo voluntário. mas não posso dizer.
Posted at 05:15 pm by kinetic